terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Agora, é assim.

Quando você vive sozinha, só você e você, você é obrigada a se conhecer. Você acaba descobrindo o que gosta e o que não gosta. Acaba descobrindo que nada se faz sozinho, sendo assim, você deve correr atrás do que se quer, senão não o terá - e isso inclui todas as suas refeições, mesmo naquele domingo modorrento, em que você não quer nem levantar da cama.
Você descobre que as pessoas geralmente são as mesmas, só mudam a roupagem. Você acaba por descobrir que há pessoas legais e pessoas não tão legais. Que há pessoas que se importam com você, e há pessoas que não se importam com você.
Você acaba descobrindo que há diversas formas de poupar dinheiro, mas que água e comida não devem fazer parte dessa lista.
Você passa a entender que, na verdade, sempre foi você e você. Você e sua consciência. Mas agora isso é mais atenuado. Você não tem ninguém para lhe fiscalizar, então, as decisões acabam por sua conta. A hora de ir dormir, o modo de ir domir, onde ir dormir. Se você vai sentar ao pc para estudar ou para ver quem está online no msn. Se você vai ou não à missa. E a hora de voltar de uma festa também é decisão sua. Você escolhe a ação, mas não pode renunciar a reação. Você tem liberdade, mas junto com ela vem a responsabilidade.

Leva um tempo para se acostumar. O mais complicado é o mais simples. A sua nova cama ainda não é A SUA cama. E isso pode lhe estranhar, à noite, apesar do seu cansaço.

Não é ruim. Morar sozinha tem as suas muitas vantagens.

O mais difícil, talvez, seja perceber, não que a sua vida seguiu, mas que tudo aquilo que você considerava como seu também está a seguir, mesmo sem você. A cidade em que morava continua lá. As pessoas, em sua maioria, também continuam lá. Mas mudam. Mudam, e é assim que deve ser. Os ciclos de amizade delas mudarão, a cor dos cabelos, os ambientes frequentados... Tudo. Embora algo fique.
As pessoas estarão comemorando aniversários [os delas e o seu] longe de você. Estarão apaixonando-se e desapaixonando-se por pessoas que você, talvez, não conheça. Mas, se realmente importar, essas pessoas te ligarão para dizer o que está acontecendo, como estão se sentindo, e como sentem saudade.
Mandarão e-mails dizendo que sonharam com você. Mandarão SMS perguntando como está a sua vida. Comprarão chip da Tim [ou pegarão o celular de suas mães emprestados] para dar um "oi" de vez em quando.

E é assim que é.
A vida continua e se entregar é uma bobagem.
Não se entregue. Não seja bobo.

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