Comecei a mudança devagar, aos poucos. Preparando-me. Mesmo que, hoje, alguém me diga que mudei, e muito. Mudei. E muito, sim. Mas ainda me mudarei (mais).
E, quando me mudar, sei que haverá uma grande mudança. Mas é isso: apenas sei. Não sinto. Ainda sentirei. E, talvez, o choro que hoje não vem - nunca vem - talvez, venha. E venha muito. E eu chore por tudo que deveria ter chorado, desde os meus três anos de idade, desde que tudo aconteceu e eu simplesmente parei de chorar.
Talvez, venham todos os choros. De uma vez só. E serão muitos.
Talvez, eu passe a comer muito, ou deixe de comer de vez. Talvez, eu passe a dormir muito, ou deixe de dormir de vez. Talvez, eu passe a telefonar sempre para alguns alguéns, ou talvez eu pare de telefonar de vez.
O tempo passa, tá acabando. Dependendo de hoje, ou, ainda, de amanhã, eu comece a preparar a minha mudança. Dessa vez, literalmente, materialmente. E, aí, quem sabe, dessa forma, eu separe os livros que valem a pena ser levados comigo, as roupas, os discos, os sonhos, as lembranças, os sentimentos.
O que não servir para levar junto a mim, ou que apenas não deva ser levado agora, ficará aqui, guardado. Não consigo jogar nada fora. Talvez, esse seja o meu maior defeito. Ou minha maior qualidade. Depende das circunstâncias. No fundo, sendo bom ou ruim, é o meu jeito de seguir. Sigo, mas guardo comigo o meu passado. Se não servir para mais nada, ainda poderá servir para me arrancar um bom riso - ou, quem sabe, uma boa lágrima - de saudade, num fim de tarde qualquer.
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