Incrível como dar nome às coisas torna-as mais tangíveis, concretas.
Descobri como chamar a minha dor, e isso fez dela mais real, mais verdadeira, mais forte.
Existem 2 tipos de dor pelas quais se passa após o término de um relacionamento: a primeira é a dor da partida, realmente; do se ver partir. Do estar numa sala de estar, com aquela pessoa, e, após uma discussão, com gritos ou não, com palavras ou não - irrelevante - , vê-la levantar, sair e fechar a porta.
Dói. Dói, e dói muito. O melhor a fazer, talvez, e eu digo por ter experimentado já alguns modos, é deixar doer. Deixar chorar, deixar sangrar.
O segundo tipo de dor é quando você, sentado nesse mesmo sofá, depois de chorar e sangrar, percebe que tem que levantar e seguir. Claro que não é assim tão perto. Falo metaforicamente. Pode levar meses, anos. Mas é quando você resolve abrir as gavetas e limpar o espaço para algo novo; alguém novo. Dói ter que fazer isso. Dói ter que dizer realmente adeus; admitir que realmente acabou; que a outra pessoa seguiu, que já não tem mais nada a ver.
É a dor de separar as roupas de quem já morreu, colocá-las numa mala e doar para quem delas precise. A dor de se ter o armário vazio.
Por maior que seja a consciência sobre tais condições, dói. Uma dor crônica, já carregada; com leves pontadas, por todo um tempo. Dependendo da desmielinização provocada pelo tempo e circunstâncias, talvez seja uma dor que pra sempre doa.
Se bulir, vai ver - 'inda lateja.