domingo, 22 de novembro de 2009

O homem do terno marrom

- Você tem de ir embora amanhã, está ouvindo? Eu... eu não suporto mais esta situação. Afinal de contas, sou homem. Tem de ir, Anne. É preciso. Você não é tola e bem sabe que isto não pode continuar.
- Também acho. Mas... foram dias felizes, não?
- Felizes? Foi um inferno!
- Achou tão ruim assim?
- Por que me atormenta? Por que caçoa de mim? Por que diz isso... rindo e escondendo-se por trás dos cabelos?
- Não estava rindo e não estou caçoando. Se quer que eu vá embora, irei. Mas se quer que fique... ficarei.
- Não! - exclamou com veemência. - Não, não me tente, Anne. Avalia o que sou? Duas vezes criminoso. Um homem perseguido. Aqui me conhecem como Harry Parker; vão me descobrir, e então a notícia se espalha. Você é jovem, Anne, e tão linda; possui uma beleza capaz de enlouquecer os homens. Tem amor, vida, o futuro diante de si. Para mim, tudo passou; minha vida está arruinada, destruída, vivo amargurado.
- Se não me quiser...
- Sabe muito bem que a quero, como sabe também que daria tudo para que ficasse aqui, nos meus braços, afastada, escondida do mundo para sempre. E você procurando me demover, Anne. Você, com esses longos cabelos de feiticeira, esses olhos que são cor de ouro, e castanhos, e verdes, sempre risonhos, mesmo quando seus lábios estão sérios. Mas vou salvá-la de si mesma e de mim. Partirá hoje à noite. Vai para Beira...
- Para Beira, não - interrompi.
- Vai, sim. Vai para Beira nem que eu tenha de levá-la, e só a deixarei depois que tiver embarcado no navio. De que pensa que sou feito? Sabe que acordo noite após noite, temendo que a descubram aqui? Não podemos contar com milagres. Tem de voltar para a Inglaterra, Anne... e... case-se. Seja feliz.
- Com um homem de sólida posição que me dê uma vida confortável!
- É preferível à... desgraça completa.




Adivinha, eles ficaram juntos no final.

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