quarta-feira, 7 de março de 2012

O outro lado que também é nosso.

O mesmo ódio que nos mata é o mesmo ódio que nos alimenta.
Da mesma forma que a glicose é armazenada em forma de glicogênio, tornando-se, assim, menos solúvel, para que não cause danos ao nosso corpo, o ódio pode ser armazenado numa forma mais sucinta, mais seca, não misturável. E, à medida que o corpo precisa, é liberado, pouco a pouco; menos como forma de ódio, mais como forma de gana, de vontade, de sede.
Precisa-se, claro, de um medidor, de uma enzima, que saiba quebrar a molécula na hora certa, na quantidade certa. Nada em excesso faz bem. Mas, também, deixar que algo nos falte faz mal.
Quando bem canalizado, o ódio é um dos fatores que nos fazem mais sãos, mais espertos, mais vivos.
Quando bem canalizado.

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