quinta-feira, 15 de abril de 2010

Asteróide B612 - O problema do amor.

A nossa natureza de rosa abre caminho a lindas e coloridas borboletas. E todas elas são especiais e únicas à sua maneira. Quando se é apenas uma rosa e se conhece apenas as borboletas, a vida parece livre e frágil, como o voo das nossas amiguinhas.
O problema passa a existir a partir do momento em que conhecemos o princepezinho.
Não que conhecer o princepezinho seja problema. Na verdade, é bem o contrário. O princepezinho nos mostra o que é preocupar-se, o que é doar-se, o que é cuidar de alguém. E ele cuida de nós. A única coisa que pede em troca é a nossa presença. Aliás, nem presença. O simples fato de existirmos.

Mas nós, rosas, em essência, magoamos.
Sim, é para isso que existem os espinhos.
E, não, a culpa nem é nossa.
É assim porque é assim. (E não existe explicação melhor do que essa.)

E, quando magoamos o princepezinho, e pedimos para que ele vá conhecer outros planetas, com outras histórias, outros baobás e - quem sabe - outras rosas, é na esperança de que ele não vá. Ou que ele vá, mas que volte logo. E perceba que não há outra rosa. Não como nós.

Ainda sobre a nossa natureza de rosa, quando o princepezinho se vai, e nos vemos sós, recorremos às borboletas. E, depois de um tempo, passamos a amá-las. De verdade. Elas são lindas, são suaves e - principalmente - estão aqui agora. Mas nunca serão como o princepezinho. E elas nem tentam ser, e nós nem tentamos colocá-las como substitutas, e nem o princepezinho quer ser substituído. Até porque não dá. Borboletas e princepezinho têm naturezas diferentes. Assim como a rosa também tem.
Mas nós, rosas, precisamos de visitas. Precisamos de cuidados. Os ventos são fortes e os refriados podem acabar com a nossa frágil saúde.
Por isso, aprendemos a amar as borboletas.

Continua...

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