quinta-feira, 20 de março de 2008

Parte III, talvez.

Era um dia nublado.

Ela acordou, cansada já, mas esperançosa.
Tudo se resolveria, talvez.

Talvez, apenas.

E entre responsabilidades, entre obrigações de se dar um sorriso e a vontade de sorrir, pura e simplesmente, ela se perguntava o que teria que fazer.

Durante uma parte da manhã, ela deu uma de coelha. Não qualquer coelha, oras. Coelha da Páscoa. Ao menos, ela tentou. Ao menos, ela tentou levar um pouco de alegria. Tentou.

E enquanto ela olhava aqueles olhinhos infantis, via o brilho dos olhos dele e ficava imaginando o que sentiria ao revê-lo. Não o que ela sentiria. Isso ela já sabia. Ela ficava imaginando o que ele sentiria ao vê-la;
E continuou a imaginar enquanto, fisicamente, os olhos castanhos que ela achava tão bonitos se desviavam dos dela. Querendo fugir? De quê?
E quem sabe?

Ela não agüentava mais esperar.
Se ele lhe dissesse que sim, ela o abraçaria com força. O primeiro de muitos abraços.
Se ele lhe dissesse que não, ela o abraçaria. Bem forte. O último de vários abraços.
Ela estava preparada. Ou ao menos sentia que sim.
Não poderia ser pior do que tudo que já passaram. Juntos ou separados.

Mas os olhos fugiam. Nada disseram.
E a angústia permaneceu.
E permanece.
Embora não visível. Ou será visível?

Porém, ela já havia aprendido: o mundo nada tem a ver com os seus problemas.
Ela continou a sorrir e a contar piadas. E a andar, e cantar.
Ela era assim. Mesmo que não fosse, ela agia assim.

Ela gostava de dias nublados.
Mas esse dia tinha se tornado chuvoso.
Ela gostava da chuva?

"E quem sabe? Ah, quem saberia?"

E acontecendo o que acontecer, havia uma certeza: seria definitivo. De uma vez por todas.
Para sempre, enfim.

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